{"id":6342,"date":"2026-05-07T17:20:27","date_gmt":"2026-05-07T20:20:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=6342"},"modified":"2026-05-08T17:26:05","modified_gmt":"2026-05-08T20:26:05","slug":"artigo-o-brasil-falha-onde-tudo-comeca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/artigo-o-brasil-falha-onde-tudo-comeca\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; O Brasil falha onde tudo come\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<p><em>O encontro inicial com os livros \u00e9 um dos momentos mais decisivos na forma\u00e7\u00e3o de qualquer leitor, mas isso ainda est\u00e1 longe de ser uma realidade no pa\u00eds.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por Sevani Matos e Hubert Alqu\u00e9res<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"426\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-5.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-6343\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-5.png 640w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-5-300x200.png 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/image-5-400x266.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00c9 na inf\u00e2ncia que se descobrem hist\u00f3rias, personagens e ideias que ampliam o olhar sobre o mundo. Antes mesmo de compreender plenamente a linguagem, a crian\u00e7a intui que ali existe algo maior: uma possibilidade de imaginar, explorar e dar sentido ao que a cerca, muitas vezes por meio das imagens, que inauguram esse encontro com a mesma pot\u00eancia das palavras. A literatura infantil n\u00e3o \u00e9 apenas uma etapa na forma\u00e7\u00e3o do leitor. Ela constitui uma base essencial da forma\u00e7\u00e3o cultural, cognitiva e criativa.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, por\u00e9m, essa realidade segue longe de ser universal. Milh\u00f5es de crian\u00e7as crescem sem contato regular com livros, sem bibliotecas estruturadas e sem media\u00e7\u00e3o qualificada. Trata-se de um d\u00e9ficit silencioso, que compromete desde cedo a trajet\u00f3ria dos estudantes, revela uma fragilidade estrutural do nosso sistema de educa\u00e7\u00e3o e ajuda a explicar, em parte, os baixos n\u00edveis de letramento observados ao longo da vida escolar.<\/p>\n\n\n\n<p>Garantir o acesso ao livro desde a inf\u00e2ncia \u00e9, portanto, uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria. Mas n\u00e3o \u00e9 suficiente; al\u00e9m de iniciativas isoladas, o pa\u00eds carece de uma articula\u00e7\u00e3o institucional capaz de dar escala, continuidade e coer\u00eancia a essas a\u00e7\u00f5es. A forma\u00e7\u00e3o de leitores n\u00e3o se sustenta apenas por esfor\u00e7os fragmentados, ainda que bem-intencionados. Exige estruturas capazes de integrar produ\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o e media\u00e7\u00e3o de forma consistente.<\/p>\n\n\n\n<p>O quadro reflete as desigualdades do pa\u00eds. Enquanto algumas crian\u00e7as crescem cercadas de livros, outras t\u00eam contato com eles apenas de forma epis\u00f3dica, quando o t\u00eam. Isso tende a se ampliar ao longo da vida escolar, produzindo trajet\u00f3rias cada vez mais desiguais.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse processo, a qualidade importa. Escrever para crian\u00e7as exige rigor, sensibilidade e dom\u00ednio da linguagem. Ilustrar, por sua vez, \u00e9 um ato de cria\u00e7\u00e3o que demanda repert\u00f3rio, t\u00e9cnica e intencionalidade. Texto e imagem n\u00e3o ocupam lugares hier\u00e1rquicos: constroem juntos a narrativa, ampliam significados e criam camadas de leitura. Valorizar a produ\u00e7\u00e3o de livros infantis \u00e9, portanto, reconhecer a literatura e a ilustra\u00e7\u00e3o como dimens\u00f5es indissoci\u00e1veis de uma mesma experi\u00eancia criativa e, no caso brasileiro, reconhecer tamb\u00e9m a for\u00e7a de uma produ\u00e7\u00e3o que alcan\u00e7ou alta qualidade e proje\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>O setor do livro infantil, que envolve autores, ilustradores, editoras, livrarias, escolas e bibliotecas, forma um ecossistema complexo, que exige coordena\u00e7\u00e3o e vis\u00e3o integrada para funcionar plenamente. No entanto, sem presen\u00e7a consistente e sem media\u00e7\u00e3o, esse sistema n\u00e3o alcan\u00e7a plenamente quem mais precisa.<\/p>\n\n\n\n<p>A media\u00e7\u00e3o, ali\u00e1s, \u00e9 um ponto central. A forma\u00e7\u00e3o de leitores n\u00e3o acontece de forma espont\u00e2nea. Professores, bibliotec\u00e1rios e fam\u00edlias s\u00e3o respons\u00e1veis por aproximar a crian\u00e7a do livro, criar contextos de leitura e transformar o acesso em experi\u00eancia significativa. \u00c9 nesse encontro que a leitura deixa de ser possibilidade e se torna pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Por meio dos livros, a crian\u00e7a amplia seu repert\u00f3rio e entra em contato com diferentes realidades, experi\u00eancias e perspectivas. A leitura permite reconhecer o outro, compreender diferen\u00e7as e desenvolver empatia. Ao mesmo tempo, contribui para a constru\u00e7\u00e3o de um universo que sustenta o pensamento e a criatividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 fundamental que as crian\u00e7as se aproximem de livros que representem a diversidade de experi\u00eancias, territ\u00f3rios e identidades que comp\u00f5em a sociedade. A literatura infantil contribui para o desenvolvimento do senso de pertencimento e para o reconhecimento da pluralidade que caracteriza o mundo contempor\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um contexto de m\u00faltiplos est\u00edmulos e formas de oferta de informa\u00e7\u00f5es, o livro segue sendo uma ferramenta insubstitu\u00edvel. A literatura infantil tem relev\u00e2ncia fundamental ao oferecer uma experi\u00eancia de leitura profunda, estruturada e formadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que marcar o Dia Mundial do Livro Infantil, celebrado em 2 de abril, \u00e9 preciso investir no acesso, na qualidade e na media\u00e7\u00e3o dos livros para crian\u00e7as. E isso exige n\u00e3o apenas recursos, mas capacidade de organiza\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sociedades que n\u00e3o formam leitores desde a inf\u00e2ncia dificilmente formam cidad\u00e3os capazes de compreender, participar e transformar a realidade. E \u00e9 nas primeiras hist\u00f3rias, feitas de palavras e imagens, que come\u00e7am, silenciosamente, as possibilidades de futuro de um pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>_______________________________&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sevani Matos \u00e9 presidente da C\u00e2mara Brasileira do Livro<\/p>\n\n\n\n<p>Hubert Alqu\u00e9res \u00e9 presidente da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o e Curador do Pr\u00eamio Jabuti<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O encontro inicial com os livros \u00e9 um dos momentos mais decisivos na forma\u00e7\u00e3o de qualquer leitor, mas isso ainda est\u00e1 longe de ser uma realidade no pa\u00eds. Por Sevani Matos e Hubert Alqu\u00e9res \u00c9 na inf\u00e2ncia que se descobrem hist\u00f3rias, personagens e ideias que ampliam o olhar sobre o mundo. Antes mesmo de compreender plenamente a linguagem, a crian\u00e7a intui que ali existe algo maior: uma possibilidade de imaginar, explorar e dar sentido ao que a cerca, muitas vezes por meio das imagens, que inauguram esse encontro com a mesma pot\u00eancia das palavras. A literatura infantil n\u00e3o \u00e9 apenas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":6343,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,11],"tags":[],"class_list":["post-6342","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6342","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6342"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6342\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6344,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6342\/revisions\/6344"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6343"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6342"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6342"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6342"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}