{"id":6391,"date":"2026-05-31T11:22:49","date_gmt":"2026-05-31T14:22:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=6391"},"modified":"2026-05-31T12:02:58","modified_gmt":"2026-05-31T15:02:58","slug":"artigo-sera-que-as-pessoas-podem-descobrir-o-que-pensamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/artigo-sera-que-as-pessoas-podem-descobrir-o-que-pensamos\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Ser\u00e1 que as pessoas podem descobrir o que pensamos?"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-7.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5955\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-7.png 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-7-225x300.png 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>por Reinaldo Polito<\/p>\n\n\n\n<p><em>Descubra como nossos pensamentos podem ser percebidos atrav\u00e9s da linguagem corporal e a import\u00e2ncia da coer\u00eancia na comunica\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Cuidado! \u00c9 poss\u00edvel que as pessoas descubram o que estamos pensando. Pode parecer loucura, mas a nossa cabe\u00e7a talvez n\u00e3o consiga proteger os nossos pensamentos como geralmente julgamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando eu era crian\u00e7a, uma hist\u00f3ria curiosa mexeu com a turma. Durante algum tempo um menino chamado Ariovaldo comeu o p\u00e3o que o diabo amassou. Ele imaginava que as outras pessoas podiam ouvir seus pensamentos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Contou para a pessoa errada?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tinha um minuto de paz. Se surgisse um pensamento negativo quando conversava com algu\u00e9m, imediatamente se esfor\u00e7ava para mudar o que estava em sua cabe\u00e7a, porque tinha certeza de que ouviam tudo o que se passava em sua mente. Caiu na besteira de revelar seu segredo para o Serj\u00e3o, o mais pestinha do grupo. Sua vida, que j\u00e1 era tumultuada, virou de vez um pesadelo. Sua esquisitice ficou conhecida por todos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/spdiario.com.br\/noticias\/noticias-de-sp\/policia-investiga-elo-entre-mortes-em-heliopolis-e-postagens-sobre-mc-kevin.html\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Com todo mundo sabendo de suas excentricidades, assim que ele aparecia na esquina sempre havia um moleque de plant\u00e3o para tripudiar: \u2014 Ari, se voc\u00ea continuar pensando essas coisas sobre a minha irm\u00e3, vou te arrebentar a cara.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Perdeu a gra\u00e7a<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Fizeram tanta goza\u00e7\u00e3o com o coitado do Ari que, de um momento para o outro, sem saber como, ele descobriu a idiotice que havia criado para si mesmo. Mudou o comportamento e se juntou ao grupo nas brincadeiras. Antes que algu\u00e9m dissesse alguma coisa, ele tomava a iniciativa: \u2014 Meus pensamentos s\u00e3o um livro aberto.<\/p>\n\n\n\n<p>Percebendo que ele n\u00e3o dava mais import\u00e2ncia \u00e0s zombarias, as provoca\u00e7\u00f5es perderam a gra\u00e7a e pararam de azucrinar o menino.<\/p>\n\n\n\n<p>Claro que os nossos pensamentos n\u00e3o t\u00eam voz. Entretanto, podemos revelar o que pensamos ou sentimos pelo nosso corpo. Sim, o corpo fala \u2014 e muito!<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>A linguagem do corpo<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Nossos pensamentos n\u00e3o falam, como imaginava o Ari. \u00c9 poss\u00edvel, entretanto, perceber pelos sinais do corpo o que estamos sentindo e se a mensagem transmitida pelas palavras \u00e9 ou n\u00e3o consistente, se \u00e9 ou n\u00e3o coerente.<\/p>\n\n\n\n<p>Na obra Human Communication, Stewart L. Tubbs e Sylvia Moss dizem: \u201cEkman levanta uma interessante quest\u00e3o ao perguntar se as pistas dadas pelos movimentos do corpo s\u00e3o diferentes daquelas dadas pela cabe\u00e7a e pelos movimentos faciais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Sinais de coer\u00eancia<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A conclus\u00e3o de seus estudos indica que a cabe\u00e7a e o rosto sugerem qual emo\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo experimentada, enquanto o corpo d\u00e1 pistas a respeito da intensidade dessa emo\u00e7\u00e3o. As m\u00e3os, entretanto, podem nos dar as mesmas informa\u00e7\u00f5es recebidas da cabe\u00e7a e do rosto.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas pesquisas revelam que, se n\u00e3o houver coer\u00eancia e harmonia entre as palavras, os sentimentos transmitidos, a entona\u00e7\u00e3o usada, os sutis movimentos do corpo, a express\u00e3o facial e os gestos, enfim, harmonia nos diferentes tra\u00e7os de uma mesma linguagem, nossa comunica\u00e7\u00e3o estar\u00e1 seriamente prejudicada e o nosso preparo, a confian\u00e7a e a credibilidade ser\u00e3o questionados.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o cultural<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Todos esses aspectos est\u00e3o relacionados \u00e0 compet\u00eancia da comunica\u00e7\u00e3o. Nas diferentes fases da forma\u00e7\u00e3o, as pessoas aprendem a usar de maneira adequada o tom da voz, os gestos, a comunica\u00e7\u00e3o facial, as rea\u00e7\u00f5es do corpo, enfim, desenvolvem habilidades que as preparam para conviver naturalmente em sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a cultura em que s\u00e3o educadas, as sutilezas s\u00e3o incorporadas na maneira de se comunicar e de se expressar: um discreto levantar de sobrancelha que indique surpresa. Uma quase impercept\u00edvel mordida no l\u00e1bio inferior que demonstre ansiedade. Um r\u00e1pido tamborilar com os dedos que informe impaci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Monitoramento cont\u00ednuo<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Ainda nessa fase de aprendizado, a pessoa descobre at\u00e9 que ponto pode ou n\u00e3o tocar ou se aproximar fisicamente dos outros, qual o tom de voz apropriado para as mais diferentes situa\u00e7\u00f5es e todas as rea\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias para uma boa conviv\u00eancia. Com o passar do tempo, esse comportamento \u00e9 naturalizado e constantemente monitorado.<\/p>\n\n\n\n<p>Anthony Giddens, na obra&nbsp;<em>Modernidade e identidade<\/em>, afirma que \u201cAprender a tornar-se um agente competente \u2014 capaz de se juntar aos outros em bases iguais na produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es sociais \u2014 \u00e9 ser capaz de exercer um monitoramento cont\u00ednuo e bem-sucedido da face e do corpo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Desculpe, Ari<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Deduz-se, portanto, que o indiv\u00edduo, para se sentir competente, precisa manter o dom\u00ednio sobre o corpo em todas as situa\u00e7\u00f5es sociais. Al\u00e9m disso, o autor afirma que \u201cser um agente competente significa n\u00e3o s\u00f3 manter tal controle cont\u00ednuo, mas ser percebido pelos outros quando o faz\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Se, por acaso, a primeira condi\u00e7\u00e3o n\u00e3o puder ser atendida, ou seja, a pessoa n\u00e3o conseguir manter o controle do corpo, ela perder\u00e1 sua prote\u00e7\u00e3o e sua confian\u00e7a b\u00e1sica ser\u00e1 amea\u00e7ada. Consequentemente, a segunda condi\u00e7\u00e3o ser\u00e1 afetada, pois os outros perceber\u00e3o esse descontrole e poder\u00e3o desconfiar da sua compet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, ent\u00e3o, o Ari n\u00e3o era t\u00e3o esquisito assim. Seu corpo, realmente, podia revelar seus pensamentos. At\u00e9 que ele podia ser considerado bem normalzinho!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>_________________________ <\/p>\n\n\n\n<p>Reinaldo Polito \u00e9 Acad\u00eamico e Professor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Reinaldo Polito Descubra como nossos pensamentos podem ser percebidos atrav\u00e9s da linguagem corporal e a import\u00e2ncia da coer\u00eancia na comunica\u00e7\u00e3o Cuidado! \u00c9 poss\u00edvel que as pessoas descubram o que estamos pensando. Pode parecer loucura, mas a nossa cabe\u00e7a talvez n\u00e3o consiga proteger os nossos pensamentos como geralmente julgamos. Quando eu era crian\u00e7a, uma hist\u00f3ria curiosa mexeu com a turma. Durante algum tempo um menino chamado Ariovaldo comeu o p\u00e3o que o diabo amassou. Ele imaginava que as outras pessoas podiam ouvir seus pensamentos. Contou para a pessoa errada? N\u00e3o tinha um minuto de paz. 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