{"id":6425,"date":"2026-06-12T12:15:59","date_gmt":"2026-06-12T15:15:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=6425"},"modified":"2026-06-14T12:23:39","modified_gmt":"2026-06-14T15:23:39","slug":"esqueca-tudo-o-que-voce-aprendeu-para-falar-em-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/esqueca-tudo-o-que-voce-aprendeu-para-falar-em-publico\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Esque\u00e7a tudo o que voc\u00ea aprendeu para falar em p\u00fablico"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Descubra como a orat\u00f3ria evoluiu ao longo dos s\u00e9culos e suas implica\u00e7\u00f5es na comunica\u00e7\u00e3o atual<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-7.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5955\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-7.png 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-7-225x300.png 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Por Reinaldo Polito<\/p>\n\n\n\n<p>Desde a publica\u00e7\u00e3o do primeiro livro de orat\u00f3ria que se tem not\u00edcia l\u00e1 se v\u00e3o 2.500 anos. No s\u00e9culo V aC, C\u00f3rax e T\u00edsias escreveram T\u00e9chne, obra destinada a ensinar os propriet\u00e1rios de terra a argumentar para recuperar as propriedades que haviam perdido. O livro se perdeu, mas sua exist\u00eancia \u00e9 mencionada por Plat\u00e3o e C\u00edcero.<\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e9culo IV aC, Arist\u00f3teles escreveu Arte ret\u00f3rica, o mais antigo tratado de orat\u00f3ria que chegou fisicamente aos nossos dias. No final do primeiro s\u00e9culo da nossa era, Quintiliano reuniu tudo o que havia sido produzido at\u00e9 ent\u00e3o e publicou as Institui\u00e7\u00f5es orat\u00f3rias, em 12 livros, consideradas a B\u00edblia da comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>S\u00f3 5% de mulheres<\/strong><a href=\"https:\/\/www.cbnsantos.com.br\/noticias\/esporte\/com-neymar-e-neuer-panini-lanca-atualizacoes-das-figurinhas-para-o-album-da-copa-2026.html\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Durante s\u00e9culos, esses ensinamentos sofreram apenas adapta\u00e7\u00f5es sutis, acompanhando lentamente as transforma\u00e7\u00f5es sociais. Os princ\u00edpios estabelecidos por Arist\u00f3teles, com alguns ajustes, continuam v\u00e1lidos. Mas h\u00e1 um detalhe importante: eles n\u00e3o podem mais ser aplicados ao p\u00e9 da letra, como insistem alguns especialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos cinquenta anos assisti a mudan\u00e7as que nenhuma gera\u00e7\u00e3o anterior conheceu. Quando comecei a ensinar orat\u00f3ria, apenas 5% dos meus alunos eram mulheres. Eu chegava a conceder bolsas integrais para aumentar a participa\u00e7\u00e3o feminina. Hoje elas s\u00e3o maioria. Quase preciso fazer o contr\u00e1rio e oferecer bolsas para os homens.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mais de 17 anos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio da carreira, s\u00f3 aceitava alunos com mais de 17 anos. Entendia que os mais jovens ainda n\u00e3o possu\u00edam repert\u00f3rio suficiente para aproveitar as aulas. Hoje, adolescentes de 13 e 14 anos sobem \u00e0 tribuna e d\u00e3o verdadeiros espet\u00e1culos. Eles chegam mais informados, mais preparados e mais familiarizados com as novas formas de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 24 anos dou aulas na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da ECA-USP. Continuo nesse trabalho porque ele funciona como um oxig\u00eanio. Ensino bastante, mas aprendo todos os dias. Descubro se a piada ainda provoca riso, se as hist\u00f3rias continuam interessantes e se consigo manter a aten\u00e7\u00e3o dos jovens durante tr\u00eas horas. Precisei correr para n\u00e3o ficar para tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pouca paci\u00eancia para ouvir<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As \u00faltimas gera\u00e7\u00f5es cresceram em um mundo completamente diferente daquele em que viveram seus pais e av\u00f3s. Recebem mais informa\u00e7\u00f5es, processam mensagens com rapidez e t\u00eam pouca paci\u00eancia para percursos previs\u00edveis. Quando o orador come\u00e7a a falar, muitas vezes j\u00e1 sabem onde ele pretende chegar. Se nada os surpreender, desligam.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 para ouvir mensagens no Whatsapp, aceleram a velocidade para 1,5 ou 2. Alguns sequer se d\u00e3o ao trabalho de ouvir. Avisam logo: n\u00e3o ou\u00e7o \u00e1udios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sair da mesmice<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Diante dessa nova realidade, quem iniciar uma apresenta\u00e7\u00e3o recorrendo \u00e0s velhas f\u00f3rmulas, presentes em dez de cada dez livros sobre a arte de falar, corre s\u00e9rio risco de perder os ouvintes nas primeiras frases. Basta come\u00e7ar com o batido \u201cQuero agradecer o honroso convite para falar diante de t\u00e3o distinta plateia\u201d para que a aten\u00e7\u00e3o desapare\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Os extensos vocativos, citando um a um os integrantes da mesa de honra, perderam o encanto. O lugar-comum deixou de ser virtude. A mesmice transformou-se em veneno.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ir diretamente ao assunto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma regra de ouro para a comunica\u00e7\u00e3o dos dias atuais: quanto mais rapidamente o orador se encaminhar para o assunto central da apresenta\u00e7\u00e3o, maiores ser\u00e3o as chances de conquistar a boa vontade, a aten\u00e7\u00e3o e a receptividade dos ouvintes. Isso n\u00e3o significa abrir m\u00e3o da introdu\u00e7\u00e3o. Significa apenas torn\u00e1-la mais viva e atraente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em vez de dizer: \u201cO objetivo desta reuni\u00e3o \u00e9 determinar as metas de vendas para o pr\u00f3ximo semestre\u201d, um gerente poderia come\u00e7ar assim: \u201cDaqui a seis meses os nossos concorrentes s\u00f3 v\u00e3o nos enxergar com luneta. Os nossos n\u00fameros v\u00e3o fazer o mercado estremecer\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quem manda \u00e9 o ouvinte<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Outra mudan\u00e7a importante \u00e9 abandonar o excesso de seriedade e didatismo. Dependendo das circunst\u00e2ncias, a fala deve ser leve, bem-humorada e pr\u00f3xima do p\u00fablico. Quase uma conversa animada com alguns amigos. Sem cair na vulgaridade ou se transformar em bobo da corte, esse comportamento tende a envolver mais os ouvintes.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale recorrer a todos os recursos que fa\u00e7am sentido dentro do contexto: movimentar-se, fazer perguntas, estimular a participa\u00e7\u00e3o, contar hist\u00f3rias curtas, criar expectativas e provocar a curiosidade. Cada orador precisa descobrir aquilo que funciona melhor para si.<\/p>\n\n\n\n<p>Os princ\u00edpios continuam os mesmos. Arist\u00f3teles continua atual. C\u00edcero ainda tem muito a ensinar. Quintiliano permanece vivo. O que morreu foram certas f\u00f3rmulas. E quem insistir em falar como se estivesse diante de uma plateia do s\u00e9culo passado corre o risco de continuar fazendo discursos e descobrir, tarde demais, que est\u00e1 falando sozinho. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"980\" height=\"551\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-6426\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-2.png 980w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-2-300x169.png 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-2-768x432.png 768w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-2-400x225.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 980px) 100vw, 980px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Artigo publicado originalmente no site da <a href=\"https:\/\/www.cbnsantos.com.br\/noticias\/cultura\/esqueca-tudo-o-que-voce-aprendeu-para-falar-em-publico.html\">CBN de Santos<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Descubra como a orat\u00f3ria evoluiu ao longo dos s\u00e9culos e suas implica\u00e7\u00f5es na comunica\u00e7\u00e3o atual. Por Reinaldo Polito Desde a publica\u00e7\u00e3o do primeiro livro de orat\u00f3ria que se tem not\u00edcia l\u00e1 se v\u00e3o 2.500 anos. No s\u00e9culo V aC, C\u00f3rax e T\u00edsias escreveram T\u00e9chne, obra destinada a ensinar os propriet\u00e1rios de terra a argumentar para recuperar as propriedades que haviam perdido. O livro se perdeu, mas sua exist\u00eancia \u00e9 mencionada por Plat\u00e3o e C\u00edcero. No s\u00e9culo IV aC, Arist\u00f3teles escreveu Arte ret\u00f3rica, o mais antigo tratado de orat\u00f3ria que chegou fisicamente aos nossos dias. 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