{"id":6446,"date":"2026-06-16T13:50:24","date_gmt":"2026-06-16T16:50:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=6446"},"modified":"2026-06-20T12:48:25","modified_gmt":"2026-06-20T15:48:25","slug":"maes-no-whatsapp-o-tormento-das-escolas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/maes-no-whatsapp-o-tormento-das-escolas\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Grupos de m\u00e3es no WhatsApp: a gest\u00e3o paralela da escola"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"350\" height=\"217\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-6.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5948\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-6.png 350w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-6-300x186.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Por Francisco Carbonari<a href=\"http:\/\/facebook.com\/sharer.php?u=https%3A%2F%2Fsampi.net.br%2Fbauru%2Fnoticias%2F2986031%2Fopinioes%2F2026%2F06%2Fmaes-no-whatsapp-o-tormento-das-escolas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a><a href=\"https:\/\/api.whatsapp.com\/send?text=https%3A%2F%2Fsampi.net.br%2Fbauru%2Fnoticias%2F2986031%2Fopinioes%2F2026%2F06%2Fmaes-no-whatsapp-o-tormento-das-escolas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a><a href=\"http:\/\/twitter.com\/share?url=https%3A%2F%2Fsampi.net.br%2Fbauru%2Fnoticias%2F2986031%2Fopinioes%2F2026%2F06%2Fmaes-no-whatsapp-o-tormento-das-escolas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Com os novos recursos tecnol\u00f3gicos dispon\u00edveis e acesso permanente a celulares, surgiram novas formas de comunica\u00e7\u00e3o e relacionamento. O WhatsApp cresceu exponencialmente e tornou-se uma das principais ferramentas de intera\u00e7\u00e3o social, principalmente entre os brasileiros. Nas escolas, era um fato comum os alunos se comunicarem por&nbsp; esse meio,&nbsp; mesmo sentados&nbsp; ao lado do colega. A proibi\u00e7\u00e3o do uso do celular no recinto escolar, resolveu esta quest\u00e3o, pelo menos dentro do seu espa\u00e7o f\u00edsico.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas um outro fen\u00f4meno tem despertado a aten\u00e7\u00e3o e a preocupa\u00e7\u00e3o&nbsp; das equipes educacionais: os grupos de m\u00e3es de alunos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Discutir a educa\u00e7\u00e3o dos filhos, trocar experi\u00eancias com outras m\u00e3es, \u00e9 algo positivo. O problema est\u00e1 na forma como esses grupos se organizaram&nbsp; e se expandiram, passando a interferir diretamente &nbsp;no cotidiano&nbsp; escolar.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, diretores e coordenadores, al\u00e9m das suas atribui\u00e7\u00f5es administrativas e pedag\u00f3gicas, precisam dedicar parte significativa de seu tempo \u00e0 media\u00e7\u00e3o de conflitos que nascem nos ambientes digitais e acabam chegando \u00e0 escola. Em alguns casos, esses grupos transformaram-se em verdadeiros mecanismos de monitoramento informal das atividades escolares. A tarefa que um esqueceu de anotar, a lancheira que o outro deixou na sala, a nota baixa que a filha tirou, a briga do colega no intervalo, opini\u00f5es dos pais nas reuni\u00f5es, um simples coment\u00e1rio em sala de aula, rapidamente se tornam temas de debate coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quest\u00f5es que deveriam ser tratadas diretamente com a equipe pedag\u00f3gica, acabam sendo discutidas em conversas virtuais marcadas, muitas vezes, por informa\u00e7\u00f5es incompletas, interpreta\u00e7\u00f5es equivocadas e julgamentos precipitados. Em alguns casos, &nbsp;criam-se situa\u00e7\u00f5es de tens\u00e3o e constrangimento que poderiam ser resolvidas por meio de uma simples conversa com a escola.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora esses grupos sejam independentes da institui\u00e7\u00e3o, os efeitos de suas discuss\u00f5es, frequentemente, geram tanto ru\u00eddo que atingem o ambiente escolar. Professores e coordenadores veem-se obrigados a responder questionamentos surgidos a partir de vers\u00f5es compartilhadas nos grupos, consumindo um tempo que poderia estar sendo dedicado ao acompanhamento pedag\u00f3gico dos alunos.<\/p>\n\n\n\n<p>O principal problema \u00e9 que esses espa\u00e7os acabam criando uma esp\u00e9cie de gest\u00e3o paralela da escola. Decis\u00f5es pedag\u00f3gicas, crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o, projetos educacionais e medidas disciplinares passam a ser discutidos e julgados sem a participa\u00e7\u00e3o daqueles que possuem a responsabilidade profissional por essas decis\u00f5es, fazendo com que as atividades da escola, sejam divulgadas de forma confusa. O resultado costuma ser a amplia\u00e7\u00e3o de conflitos, o enfraquecimento da confian\u00e7a institucional e uma crescente press\u00e3o sobre as equipes escolares<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez exista uma reflex\u00e3o ainda mais profunda a ser feita. Os grupos n\u00e3o s\u00e3o necessariamente &nbsp;a causa do problema. Muitas vezes s\u00e3o um sintoma. Revelam uma mudan\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es entre fam\u00edlias e institui\u00e7\u00f5es. Vivemos uma \u00e9poca em que a autoridade profissional \u2014 do m\u00e9dico, do jornalista, do professor e da escola \u2014 \u00e9 constantemente colocada em discuss\u00e3o. Os grupos apenas tornaram esse fen\u00f4meno vis\u00edvel e instant\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o passa pela simples oposi\u00e7\u00e3o a esses grupos. Muitos deles, atuam como verdadeiros parceiros da escola, al\u00e9m de ser praticamente imposs\u00edvel proibi-los. A solu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 na tecnologia, mas na reconstru\u00e7\u00e3o de uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a entre fam\u00edlias e escolas. O desafio desta constru\u00e7\u00e3o, est\u00e1 no fortalecendo de canais institucionais de di\u00e1logo e na reafirma\u00e7\u00e3o dos pap\u00e9is de cada um no processo educativo. Quando a fam\u00edlia e a escola atuam juntas, cada uma respeitando a compet\u00eancia e responsabilidade da outra, os grupos de m\u00e3es no WhatsApp podem cumprir uma fun\u00e7\u00e3o importante de aproximar pessoas e compartilhar experi\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>O desafio que se coloca \u00e9 encontrar o equil\u00edbrio. H\u00e1 consenso de que fam\u00edlias e escolas precisam atuar como parceiras, mas essa parceria, n\u00e3o pode significar a substitui\u00e7\u00e3o de pap\u00e9is. Os caminhos n\u00e3o s\u00e3o simples, mas&nbsp; experi\u00eancias j\u00e1 est\u00e3o sendo desenvolvidas por escolas e algumas estrat\u00e9gias est\u00e3o sendo bem sucedidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, h\u00e1 que se estabelecer canais de comunica\u00e7\u00e3o institucionais eficientes. Muitas fam\u00edlias argumentam que nem sempre sabem a quem recorrer diante de problemas. Quando os canais funcionam bem, h\u00e1 menos necessidade de recorrer aos grupos.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas escolas t\u00eam promovido encontros espec\u00edficos de conviv\u00eancia digital e comunica\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel. A mensagem \u00e9 clara: nem tudo precisa ser compartilhado com 50 pessoas antes de ser conversado com quem pode resolver o problema.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra quest\u00e3o que merece aten\u00e7\u00e3o, \u00e9 a import\u00e2ncia da confian\u00e7a como principal valor da rela\u00e7\u00e3o fam\u00edlia-escola. Fam\u00edlias que confiam na escola e possuem canais de comunica\u00e7\u00e3o dispon\u00edveis e resolutivos, tendem a procurar primeiro a institui\u00e7\u00e3o e n\u00e3o o grupo de WhatsApp.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim h\u00e1 que se refletir sobre uma quest\u00e3o que permeia as demais: durante muito tempo a escola ocupou uma posi\u00e7\u00e3o de autoridade pouco questionada. Hoje vivemos o movimento inverso: algumas fam\u00edlias acreditam ter legitimidade para interferir em qualquer decis\u00e3o escolar. Sen\u00e3o aprofundarmos essa discuss\u00e3o com as fam\u00edlias, os caminhos ser\u00e3o mais dif\u00edceis.<\/p>\n\n\n\n<p>___________________________________ <\/p>\n\n\n\n<p><em>Francisco Carbonari \u00e9 Acad\u00eamico e ex-secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/em>do munic\u00edpio de Jundia\u00ed<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Francisco Carbonari Com os novos recursos tecnol\u00f3gicos dispon\u00edveis e acesso permanente a celulares, surgiram novas formas de comunica\u00e7\u00e3o e relacionamento. O WhatsApp cresceu exponencialmente e tornou-se uma das principais ferramentas de intera\u00e7\u00e3o social, principalmente entre os brasileiros. Nas escolas, era um fato comum os alunos se comunicarem por&nbsp; esse meio,&nbsp; mesmo sentados&nbsp; ao lado do colega. A proibi\u00e7\u00e3o do uso do celular no recinto escolar, resolveu esta quest\u00e3o, pelo menos dentro do seu espa\u00e7o f\u00edsico. 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