{"id":6942,"date":"2026-09-20T23:45:55","date_gmt":"2026-09-21T02:45:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/?p=6942"},"modified":"2026-09-25T23:51:34","modified_gmt":"2026-09-26T02:51:34","slug":"artigo-voce-sabia-que-citacoes-de-grandes-autores-podem-nao-ter-sido-deles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/artigo-voce-sabia-que-citacoes-de-grandes-autores-podem-nao-ter-sido-deles\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Voc\u00ea sabia que cita\u00e7\u00f5es de grandes autores podem n\u00e3o ter sido deles?"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"613\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-5.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-6433\" srcset=\"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-5.png 613w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-5-300x170.png 300w, https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-5-400x227.png 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 613px) 100vw, 613px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>por Reinaldo Polito<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 o mais forte que sobrevive, mas o que mais se adapta \u00e0s mudan\u00e7as&#8221;. Talvez voc\u00ea j\u00e1 tenha lido ou ouvido esta cita\u00e7\u00e3o e gostado dela. Principalmente depois de saber que ela \u00e9 de autoria de Charles Darwin, o autor do livro A Origem das Esp\u00e9cies. Afinal, quem somos n\u00f3s para discordar desse g\u00eanio da humanidade?<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea, provavelmente, cair\u00e1 de costas ao descobrir que essa cita\u00e7\u00e3o profunda e t\u00e3o revestida de verdade n\u00e3o \u00e9 de Darwin, mas sim de Leon C. Megginson, um professor americano que se dedicou a escrever livros na \u00e1rea de recursos humanos e gest\u00e3o de pequenos neg\u00f3cios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A credibilidade do autor<\/strong><a href=\"https:\/\/spdiario.com.br\/noticias\/politica\/flavio-bolsonaro-nega-intencao-de-retirar-nossa-senhora-aparecida-do-titulo-de-padroeira-do-brasil.html\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A frase continua profunda e instigante ainda que n\u00e3o seja de Darwin, pois como disse Shakespeare em Romeu e Julieta: &#8220;O que h\u00e1 num nome? Aquilo que chamamos de rosa, com qualquer outro nome, teria o mesmo perfume&#8221;. Aparentemente, sim, mas a aura que acompanha o nome de um autor pode influenciar o leitor de forma diferente. Uns t\u00eam mais credibilidade que outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, muitas vezes, as pessoas lan\u00e7am m\u00e3o de determinados pensamentos e atribuem a sua autoria a algu\u00e9m que seja famoso e respeitado em seu campo de atua\u00e7\u00e3o. Os exemplos s\u00e3o incont\u00e1veis. Provavelmente, algumas das cita\u00e7\u00f5es que voc\u00ea admira e at\u00e9 utiliza em seus textos e conversas n\u00e3o sejam de quem imagina ser.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o \u00e9 de Borges<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Veja alguns exemplos de frases que normalmente levam a enganos. Uma bastante famosa \u00e9 de Nadine Stair, quase sempre atribu\u00edda a Jorge Luis Borges. \u00c9 quase certo que conhe\u00e7a este in\u00edcio: &#8220;Se eu pudesse viver novamente a minha vida&#8230;&#8221;. H\u00e1 outra tida como sendo de Voltaire que, na verdade, \u00e9 de Evelyn Beatrice Hall: &#8220;N\u00e3o concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei at\u00e9 a morte o teu direito de diz\u00ea-las&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Nosso pa\u00eds n\u00e3o poderia ficar de fora desse anedot\u00e1rio. Dizem ser de Charles de Gaulle, mas \u00e9 do embaixador brasileiro Carlos Alves de Souza: &#8220;O Brasil n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds s\u00e9rio&#8221;. Mais duas para encerrar. Uma atribu\u00edda a Abraham Lincoln, mas que \u00e9 de William J. H. Boetcker: &#8220;Voc\u00ea n\u00e3o ajuda o pobre destruindo o rico&#8221;. Outra que \u00e9 um prov\u00e9rbio \u00e1rabe antigo, mas que costuma aparecer com o nome de M\u00e1rio Quintana: &#8220;Quem n\u00e3o entende um olhar jamais entender\u00e1 uma longa explica\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Machado de Assis<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As cita\u00e7\u00f5es s\u00e3o importantes para ajudar no esclarecimento de determinada ideia e dar a ela mais consist\u00eancia. Paulo R\u00f3nai, em seu Dicion\u00e1rio universal de cita\u00e7\u00f5es, menciona alguns depoimentos a esse respeito. Ou seja, ele se vale de cita\u00e7\u00f5es para confirmar a import\u00e2ncia delas.<\/p>\n\n\n\n<p>Um deles \u00e9 de Machado de Assis: &#8220;Senten\u00e7as latinas, ditos hist\u00f3ricos, versos c\u00e9lebres, brocardos jur\u00eddicos, m\u00e1ximas, \u00e9 de bom aviso traz\u00ea-los contigo para os discursos de sobremesa, de felicita\u00e7\u00e3o, ou de agradecimento&#8221;. Eno T. Wanke tamb\u00e9m se mostra adepto dessa pr\u00e1tica: Diz em Pensamentos moleques que &#8220;Os prov\u00e9rbios s\u00e3o telegramas que os antigos nos deixaram para nos transmitir not\u00edcias de sua sabedoria&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O contraponto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 quem n\u00e3o concorde. Um deles \u00e9 o cr\u00edtico e dramaturgo franc\u00eas, Jules Lema\u00eetre: &#8220;Os pensamentos e m\u00e1ximas s\u00e3o um g\u00eanero esgotado e um g\u00eanero f\u00fatil&#8221;. Pois \u00e9, como quase tudo na vida, h\u00e1 quem concorde e quem discorde.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, \u00e9 preciso cautela. O uso de um pensamento pelo pensamento apenas, m\u00e1ximas e prov\u00e9rbios inclu\u00eddos, talvez n\u00e3o seja t\u00e3o \u00fatil e pode at\u00e9 provocar certa frustra\u00e7\u00e3o. Mas, se ele identifica um contexto, instiga \u00e0 reflex\u00e3o e motiva \u00e0 procura da obra que o originou, poder\u00e1 influenciar de maneira decisiva na forma\u00e7\u00e3o intelectual. \u00c9 uma observa\u00e7\u00e3o que pode contemplar tanto os cr\u00edticos quanto os defensores dessa pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que \u201cele\u201d pensa?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para que um pensamento seja adequado \u00e9 fundamental que ele seja usado de forma justa e sensata. N\u00f3s \u00e9 que devemos decidir com intelig\u00eancia a melhor maneira de inclu\u00ed-los com propriedade na nossa comunica\u00e7\u00e3o, escrita ou oral. Temos de considerar ainda que o uso excessivo de pensamentos, quase sempre, motiva cr\u00edticas: afinal, o que &#8220;ele&#8221; pensa sobre esse assunto? Ser\u00e1 que n\u00e3o sabe raciocinar por si, e por isso s\u00f3 recorre ao que os outros disseram?<\/p>\n\n\n\n<p>Lan\u00e7ar m\u00e3o de uma frase de maneira adequada pressup\u00f5e, portanto, senso de oportunidade. Em circunst\u00e2ncias que podem produzir tanto resultados positivos quanto negativos, dependendo de fatos e acontecimentos sobre os quais n\u00e3o haja controle, por exemplo, caberia com perfei\u00e7\u00e3o a frase de Machado de Assis: &#8220;O acaso \u00e9 um Deus e um diabo ao mesmo tempo&#8221;. Uma frase curta e completa, com come\u00e7o, meio e fim.<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos tamb\u00e9m ter cuidado com as frases batidas, que pelo excesso de uso se transformaram em chav\u00f5es banalizados, como, por exemplo: quem n\u00e3o se comunica se trumbica, o sol nasce para todos, a uni\u00e3o faz a for\u00e7a, uma andorinha s\u00f3 n\u00e3o faz ver\u00e3o, e outras p\u00e9rolas semelhantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses s\u00e3o alguns cuidados que devemos ter com as autorias falsas, para que possamos fazer bom uso dos pensamentos, m\u00e1ximas e prov\u00e9rbios. <\/p>\n\n\n\n<p>________________________________________ <a href=\"https:\/\/spdiario.com.br\/autor\/reinaldo-polito\/\"><\/a><a href=\"https:\/\/spdiario.com.br\/autor\/reinaldo-polito\/\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Reinaldo Polito \u00e9 Mestre em Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o e professor de orat\u00f3ria nos cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Marketing Pol\u00edtico, Gest\u00e3o Corporativa e Gest\u00e3o de Comunica\u00e7\u00e3o e Marketing na ECA-USP. Presidente Em\u00e9rito da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o. Escreveu 36 livros com mais de 1,5 milh\u00e3o de exemplares vendidos em 39 pa\u00edses. Siga no Instagram @polito, pelo facebook.com\/reinaldopolito ou pergunte no contatos@polito.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Reinaldo Polito &#8220;N\u00e3o \u00e9 o mais forte que sobrevive, mas o que mais se adapta \u00e0s mudan\u00e7as&#8221;. Talvez voc\u00ea j\u00e1 tenha lido ou ouvido esta cita\u00e7\u00e3o e gostado dela. Principalmente depois de saber que ela \u00e9 de autoria de Charles Darwin, o autor do livro A Origem das Esp\u00e9cies. Afinal, quem somos n\u00f3s para discordar desse g\u00eanio da humanidade? Voc\u00ea, provavelmente, cair\u00e1 de costas ao descobrir que essa cita\u00e7\u00e3o profunda e t\u00e3o revestida de verdade n\u00e3o \u00e9 de Darwin, mas sim de Leon C. 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