{"id":8,"date":"2010-03-05T00:41:12","date_gmt":"2010-03-05T03:41:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apedu.org.br\/site\/2010\/03\/05\/artigo-2-2\/"},"modified":"2010-03-05T00:41:12","modified_gmt":"2010-03-05T03:41:12","slug":"artigo-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apedu.org.br\/site\/artigo-2-2\/","title":{"rendered":"A escola que n\u00e3o reprova"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Uma importante publica\u00e7\u00e3o dirigida a educadores, manifestamente querendo fazer humor, estampou o seguinte di\u00e1logo:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">&#8211; <\/span><em><span style=\"font-size: 10pt;\">\u201cMeu filho n\u00e3o estudou nada e mesmo assim passou de ano\u201d.<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">&#8211; <\/span><em><span style=\"font-size: 10pt;\">\u201cPois \u00e9. E ainda tem gente dizendo que Papai Noel n\u00e3o existe\u201d.<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Este di\u00e1logo, presumivelmente entre dois pais de alunos, revela, a meu ver, uma vis\u00e3o completamente distorcida da miss\u00e3o da escola.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">A fala do primeiro pai \u00e9 simplesmente lament\u00e1vel, revelando completa aliena\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a sua condi\u00e7\u00e3o de principal respons\u00e1vel pelo destino da crian\u00e7a. Limita-se a registrar, como se nada tivesse com isso, que o filho deixou, durante\u00a0um ano inteiro, de cumprir suas obriga\u00e7\u00f5es de estudante. E ele, onde estava, enquanto o filho folgava? Procurou incentiv\u00e1-lo? Foi trocar id\u00e9ias com os professores do menino, em busca de orienta\u00e7\u00e3o? Ao que tudo indica, simplesmente deixou o barco correr e agora apenas comenta com displic\u00eancia:\u00a0\u00a0\u201c<\/span><em><span style=\"font-size: 10pt;\">meu filho n\u00e3o estudou nada\u201d<\/span><\/em><span style=\"font-size: 10pt;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Igualmente despropositado \u00e9 o coment\u00e1rio do outro pai, insinuando que o menino recebeu um pr\u00eamio imerecido. Nesta perspectiva, a miss\u00e3o da escola n\u00e3o \u00e9 a de ensinar, mas simplesmente a de premiar os bons e de castigar os\u00a0maus alunos. Ou seja, o pai e a escola est\u00e3o isentos de qualquer responsabilidade \u2013 tudo aconteceu porque <\/span><em><span style=\"font-size: 10pt;\">o aluno<\/span><\/em><span style=\"font-size: 10pt;\"> n\u00e3o estudou. Ser\u00e1 que a escola ensinou? Vale ainda uma vez lembrar a observa\u00e7\u00e3o de Dewey: \u201cDizer que se vendeu, quando ningu\u00e9m comprou, \u00e9 t\u00e3o exato como declarar que se ensinou quando ningu\u00e9m aprendeu\u201d. Convenhamos, a escola n\u00e3o pode isentar-se de culpa, se permite que um estudante permane\u00e7a ocioso durante as atividades escolares, ou deixe de cumprir as tarefas programadas. Se alguma coisa n\u00e3o vai bem, \u00e9 for\u00e7oso buscar os meios para corrigir os desvios, inclusive com a ajuda da fam\u00edlia, que n\u00e3o pode eximir-se dessa responsabilidade. Se o estudante est\u00e1 em atraso em rela\u00e7\u00e3o a sua turma, cumpre promover as atividades de recupera\u00e7\u00e3o, que certamente est\u00e3o inclu\u00eddas no projeto pedag\u00f3gico da escola. O que n\u00e3o \u00e9 certo \u00e9 tolerar a inatividade do estudante, para no fim do processo lamentar que ele passe de ano sem ter nada aprendido.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00c9 preciso acabar com esse equ\u00edvoco de entender que a escola perde qualidade quando n\u00e3o reprova. A escola somente perde qualidade quando n\u00e3o ensina.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Pensando fazer humor, o que a publica\u00e7\u00e3o na verdade fez foi revelar uma vis\u00e3o inadequada do papel da escola em uma sociedade democr\u00e1tica, evidenciando-se, pelo menos, tr\u00eas falhas: a do pai do aluno, em rela\u00e7\u00e3o ao estudo do filho, a do outro pai, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 miss\u00e3o da escola, e a da administra\u00e7\u00e3o, no que se refere ao implemento de inova\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><br \/><\/span><\/p>\n<h1><span style=\"font-size: 10pt;\">A falha dos pais<\/span><\/h1>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><br \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">An\u00edsio Teixeira caracterizou certa vez a escola brasileira como um \u201cclube fechado\u201d, querendo com isto dizer que a equipe escolar, no seu tempo, preferia manter\u00a0\u00e0\u00a0dist\u00e2ncia os familiares dos estudantes. A presen\u00e7a dos pais de alunos na escola era sempre vista com reservas, por poder interferir no trabalho dos professores. Por sua vez, os pais, em grande maioria, n\u00e3o revelavam interesse em comparecer \u00e0s atividades programadas pela escola, fazendo-o apenas para reclama\u00e7\u00f5es ou para tentativas de salvar o ano escolar do filho, quando era o caso. Durante muito tempo, pois, vigorou uma barreira, invis\u00edvel, mas efetiva, separando professores e pais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Evidentemente essa barreira ainda existe, mas est\u00e1 atenuada, por uma lenta, mas\u00a0promissora, transforma\u00e7\u00e3o cultural, que se reflete inclusive na legisla\u00e7\u00e3o. A atual lei de diretrizes e bases da educa\u00e7\u00e3o nacional estabelece entre as incumb\u00eancias da escola a de \u201carticular-se com as fam\u00edlias e a comunidade, criando processos de integra\u00e7\u00e3o da sociedade com a escola\u201d e indica para os professores a responsabilidade de colaborar para essa integra\u00e7\u00e3o. A lei estabelece ainda a participa\u00e7\u00e3o da comunidade local nos conselhos escolares ou equivalentes. Tudo isto reflete a inten\u00e7\u00e3o de promover a quebra da barreira que separava a escola das fam\u00edlias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Uma coisa, por\u00e9m, \u00e9 a inten\u00e7\u00e3o expressa na lei e outra a realidade. Certamente ainda n\u00e3o s\u00e3o muitos os pais que realmente t\u00eam disposi\u00e7\u00e3o e interesse de participar dos conselhos escolares e demais atividades da escola.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">O qu\u00ea as escolas querem dos pais?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Atualmente j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o\u00a0r\u00edgida a separa\u00e7\u00e3o denunciada por An\u00edsio Teixeira e as escolas\u00a0j\u00e1 admitem uma conviv\u00eancia mais natural com os pais de alunos. Freq\u00fcentemente se tem not\u00edcia de casos de participa\u00e7\u00e3o efetiva da comunidade na vida escola, com resultados animadores. Um bom exemplo \u00e9 o programa \u201cEscola da Fam\u00edlia\u201d, em andamento nos estabelecimentos estaduais de ensino. Certamente\u00a0a escola tem muito\u00a0a ganhar com a colabora\u00e7\u00e3o dos pais, que pode ser efetivada, por exemplo, com o trabalho volunt\u00e1rio.\u00a0Essa aproxima\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia com a escola favorece\u00a0o trabalho comum em favor do desenvolvimento do aluno.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">O qu\u00ea os pais querem da escola?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">A julgar pela fala do pai na anedota, a fam\u00edlia em muitos casos ainda se contenta com o ato formal de o filho ser aprovado no final de cada ano letivo e receber o certificado ou diploma no final do curso. \u201cMeu filho n\u00e3o estudou nada e mesmo assim passou de ano\u201d. N\u00e3o estudou? E da\u00ed, se passou de ano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Isto \u00e9 a sobreviv\u00eancia do formalismo que, em muitos casos, ainda prevalece em nossa cultura \u2013 a valoriza\u00e7\u00e3o do s\u00edmbolo em detrimento da efetiva realiza\u00e7\u00e3o, a valoriza\u00e7\u00e3o do diploma em detrimento da compet\u00eancia. Nesta situa\u00e7\u00e3o, os pais empenham-se em examinar os boletins escolares, para ver o que est\u00e1 ali registrado. Se as notas s\u00e3o boas,\u00a0d\u00e3o-se por satisfeitos, sem lhes ocorrer que essas notas s\u00e3o apenas um ind\u00edcio, mas n\u00e3o uma garantia firme de que o filho tenha efetivamente aprendido o essencial. O menino pode ter apenas apresentado nas provas aquilo que Whitehead chamava de \u201c<\/span><em><span style=\"font-size: 10pt;\">rote learning\u201d<\/span><\/em><span style=\"font-size: 10pt;\">, repeti\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica de no\u00e7\u00f5es aprendidas em aula. Isto \u00e9 suficiente? Ele pode ter respondido acertadamente a uma s\u00e9rie de quest\u00f5es sobre literatura. E da\u00ed? Valeu a pena o tempo que o aluno dedicou ao estudo do assunto? Que \u00e9 importante nessa aprendizagem? Certamente ele aprendeu o suficiente para sair-se bem no teste e ganhar uma nota alta, mas isto ser\u00e1 absolutamente irrelevante, se n\u00e3o tomou gosto pela leitura de bons autores, se n\u00e3o adquiriu a capacidade de apreciar a beleza de p\u00e1ginas bem escritas, se n\u00e3o se sentiu estimulado a tamb\u00e9m tentar produzir textos de qualidade. O mesmo vale para todas as outras disciplinas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><br \/><\/span><\/p>\n<h1><span style=\"font-size: 10pt;\">A falha da escola<\/span><\/h1>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><br \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">De todas as institui\u00e7\u00f5es vigentes, a escola \u00e9 seguramente uma das mais resistentes \u00e0 mudan\u00e7a. Em muitos casos a escola pouco difere daquela existente no passado, quer quanto \u00e0s instala\u00e7\u00f5es f\u00edsicas \u2013 mesa do professor, quadro negro, fileiras de carteiras\u00a0&#8211; ,\u00a0quer quanto aos aspectos imateriais \u2013 programa\u00e7\u00e3o, metodologia, forma de avalia\u00e7\u00e3o. Que outra institui\u00e7\u00e3o pode apresentar t\u00e3o alto grau de imutabilidade?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Tomemos o caso da avalia\u00e7\u00e3o da aprendizagem. Por muito que se tenha discutido e estudado a quest\u00e3o, a verdade \u00e9 que, com muita freq\u00fc\u00eancia, continuamos a praticar a avalia\u00e7\u00e3o de maneira muito parecida, sen\u00e3o id\u00eantica, a tudo o que se fazia no passado. Por muito tempo vigorou, quase que como forma \u00fanica de avalia\u00e7\u00e3o, o uso de provas dissertativas, oferecendo-se, como alternativa, a prova oral. Causou furor, durante algum tempo, o aparecimento das chamadas <\/span><em><span style=\"font-size: 10pt;\">provas objetivas<\/span><\/em><span style=\"font-size: 10pt;\">, ou <\/span><em><span style=\"font-size: 10pt;\">testes<\/span><\/em><span style=\"font-size: 10pt;\">, que viriam libertar a escola da subjetividade das provas dissertativas. Os defensores das provas objetivas demonstravam, com fortes argumentos, as fal\u00e1cias das provas tradicionais, dissertativas: professores diferentes avaliavam diferentemente as mesmas provas; o mesmo professor avaliava diferentemente as mesmas provas, em momentos diferentes; de tal forma, que n\u00e3o havia consist\u00eancia nos resultados obtidos. As provas objetivas, estas, sim, garantiam dados confi\u00e1veis, pois davam sempre o mesmo resultado, independentemente do avaliador. O entusiasmo, por\u00e9m, durou pouco, na medida em que foram aparecendo os defeitos das provas objetivas \u2013 prestam-se mais a avaliar o \u201c<\/span><em><span style=\"font-size: 10pt;\">rote learning\u201d<\/span><\/em><span style=\"font-size: 10pt;\">, favorecem o acerto por acaso. O tiro de miseric\u00f3rdia foi dado quando as provas objetivas passaram a\u00a0ser conhecidas\u00a0simplesmente como<\/span><em><span style=\"font-size: 10pt;\">provas das cruzinhas<\/span><\/em><span style=\"font-size: 10pt;\">.\u00a0\u00a0A forma de avalia\u00e7\u00e3o da aprendizagem, hoje, pouco difere da que vem sendo praticada ao longo dos \u00faltimos cem anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Da mesma forma, a escola, hoje, n\u00e3o consegue libertar-se do modelo vigente durante uma \u00e9poca em que a educa\u00e7\u00e3o era privil\u00e9gio de poucos, quando a escola podia, tranq\u00fcilamente, dar-se ao luxo de ser seletiva. Nesse modelo, todo o peso da aprendizagem recaia sobre os ombros dos alunos \u2013 quem n\u00e3o tivesse f\u00f4lego para acompanhar o ritmo imposto pela escola era simplesmente posto de lado, exclu\u00eddo por um sistema impiedoso de reprova\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Mas o que \u00e9 a reprova\u00e7\u00e3o? Trata-se de um mecanismo artificial, estranho ao ideal de educa\u00e7\u00e3o, introduzido nas escolas no momento em que foi inventado o regime seriado. Antes disso, n\u00e3o havia como falar em reprova\u00e7\u00e3o, porque toda a aten\u00e7\u00e3o estava voltada para o desenvolvimento do educando. Foi a introdu\u00e7\u00e3o do regime seriado, com a cria\u00e7\u00e3o de blocos solid\u00e1rios de conhecimentos a\u00a0serem adquiridos s\u00e9rie por s\u00e9rie, que se tornou necess\u00e1ria\u00a0a repeti\u00e7\u00e3o de per\u00edodo por aqueles que eventualmente n\u00e3o tivessem conseguido dominar o conte\u00fado programado. Foi, portanto, um subproduto indesej\u00e1vel do regime seriado. Enquanto a escola era francamente seletiva, n\u00e3o havia problema, pois a reprova\u00e7\u00e3o cumpria sua triste miss\u00e3o de excluir os menos capazes. Na medida em que a escola passou a ter a miss\u00e3o de proporcionar <\/span><em><span style=\"font-size: 10pt;\">educa\u00e7\u00e3o para todos<\/span><\/em><span style=\"font-size: 10pt;\">, a reprova\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a incomodar. Come\u00e7aram, ent\u00e3o, a aparecer na legisla\u00e7\u00e3o mecanismos para atenuar os rigores do regime seriado: exames de segunda-\u00e9poca, matr\u00edcula por disciplina, matr\u00edcula com depend\u00eancia, recupera\u00e7\u00e3o. Atenta \u00e0s exig\u00eancias dos novos tempos, a atual lei de diretrizes e bases foi mais longe e admitiu outras formas de organiza\u00e7\u00e3o escolar, al\u00e9m do regime seriado.\u00a0\u00a0Ao tratar da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, diz a LDB, no artigo 23: \u201cA educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica poder\u00e1 organizar-se em s\u00e9ries anuais, per\u00edodos semestrais, ciclos, altern\u00e2ncia regular de per\u00edodos de estudos, grupos n\u00e3o-seriados, com base na idade, na compet\u00eancia e em outros crit\u00e9rios, ou por forma diversa de organiza\u00e7\u00e3o, sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Por sua vez, o Conselho Estadual de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo baixou a Delibera\u00e7\u00e3o CEE n\u00ba 9\/97, instituindo no Sistema de Ensino do Estado de S\u00e3o Paulo o regime de progress\u00e3o continuada no ensino fundamental e permitindo sua organiza\u00e7\u00e3o em um ou mais ciclos. Parece estar havendo desaten\u00e7\u00e3o \u00e0s important\u00edssimas determina\u00e7\u00f5es da delibera\u00e7\u00e3o, para que o novo regime alcance realmente bons resultados. Entre estas determina\u00e7\u00f5es est\u00e3o:<\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\"> \u2013 avalia\u00e7\u00f5es da aprendizagem ao longo do processo, conduzindo a uma avalia\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e cumulativa da aprendizagem do aluno, de modo a permitir a aprecia\u00e7\u00e3o de seu desempenho em todo o ciclo;<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\"> \u2013 atividades de refor\u00e7o e de recupera\u00e7\u00e3o paralelas e cont\u00ednuas ao longo do processo e, se necess\u00e1rias, ao final de ciclo ou n\u00edvel;<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\"> \u2013 meios alternativos de adapta\u00e7\u00e3o, de refor\u00e7o, de reclassifica\u00e7\u00e3o, de avan\u00e7o, de reconhecimento, de aproveitamento e de acelera\u00e7\u00e3o de estudos;<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\"> \u2013 cont\u00ednua melhoria do ensino;<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\"> \u2013 articula\u00e7\u00e3o com as fam\u00edlias no acompanhamento do aluno ao longo do processo, fornecendo-lhes informa\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas sobre freq\u00fc\u00eancia e aproveitamento escolar<\/span><\/em><span style=\"font-size: 10pt;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">N\u00e3o se trata, pois, de adotar o novo regime e continuar atuando nos moldes tradicionais, mas \u2013 e isto \u00e9 fundamental \u2013 h\u00e1 necessidade de fazer acompanhar a ado\u00e7\u00e3o do regime de provid\u00eancias indispens\u00e1veis a seu \u00eaxito. \u00c9 preciso que haja um esfor\u00e7o s\u00e9rio no sentido do cumprimento\u00a0da medidas\u00a0propostas pelo CEE. Sem isso, o desastre pode tornar-se inevit\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Estamos vivendo uma nova era, em que o regime seriado deixou de ser forma obrigat\u00f3ria de organiza\u00e7\u00e3o escolar. Existe o senso comum de que \u201ccessada a causa, cessam os efeitos\u201d. Contudo, isto n\u00e3o est\u00e1 acontecendo, com a extin\u00e7\u00e3o do regime seriado no sistema estadual de ensino, pois continua vivo e atuante, em muitas mentes, o esp\u00edrito de reprova\u00e7\u00e3o, subproduto abomin\u00e1vel daquele regime.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Qual a miss\u00e3o da escola? Certamente n\u00e3o \u00e9 a de aprovar e reprovar alunos, coisa que nunca existiu, mas que poderia ser tolerada, ainda que erroneamente, h\u00e1 cinq\u00fcenta ou sessenta anos. O educador, hoje, tem a obriga\u00e7\u00e3o de ter uma vis\u00e3o mais nobre e abrangente de seu trabalho, vendo no progresso do aluno a \u00fanica meta aceit\u00e1vel. Se o aluno n\u00e3o est\u00e1 alcan\u00e7ando o rendimento m\u00ednimo desejado, antes de pensar em desfazer-se dele ou em conden\u00e1-lo a uma volta no processo de aprendizagem, a escola tem a obriga\u00e7\u00e3o de procurar reorganizar-se para restabelecer o equil\u00edbrio perdido. \u00c9 claro que isto \u00e9 dif\u00edcil. As novas exig\u00eancias est\u00e3o colocando sobre a escola\u00a0um peso adicional, que obriga a grandes sacrif\u00edcios. Estamos prontos a admitir isto. O que n\u00e3o podemos aceitar \u00e9 que a \u00fanica rea\u00e7\u00e3o \u00e0s novas responsabilidades atribu\u00eddas \u00e0 escola seja esse injustific\u00e1vel clamor pela volta da reprova\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><br \/><\/span><\/p>\n<h1><\/h1>\n<h1><span style=\"font-size: 10pt;\">A falha da administra\u00e7\u00e3o<\/span><\/h1>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><br \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Ultimamente os jornais t\u00eam noticiado, com compreens\u00edvel estardalha\u00e7o, que existem casos de alunos que chegam analfabetos a est\u00e1gios avan\u00e7ados do ensino fundamental. A den\u00fancia \u00e9 grave e deveria merecer, por parte das autoridades educacionais, prontas provid\u00eancias para apura\u00e7\u00e3o dos fatos. Trata-se de casos isolados, flagrados por rep\u00f3rteres sempre prontos \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o de not\u00edcias de impacto, ou o problema tem propor\u00e7\u00f5es mais amplas, reveladoras de uma distor\u00e7\u00e3o s\u00e9ria no sistema de ensino? Imp\u00f5e-se uma investiga\u00e7\u00e3o criteriosa da realidade, para a ado\u00e7\u00e3o de medidas cab\u00edveis. Se os casos encontrados forem poucos e localizados, a a\u00e7\u00e3o pode restringir-se \u00e0s escolas envolvidas. Se, por\u00e9m, houver uma falha geral no sistema, as provid\u00eancias a serem adotadas ser\u00e3o muito mais s\u00e9rias e de mais longo alcance.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Ao que tudo indica, a falha maior da administra\u00e7\u00e3o foi ter adotado o chamado <\/span><em><span style=\"font-size: 10pt;\">regime de progress\u00e3o continuada<\/span><\/em><span style=\"font-size: 10pt;\">, sem uma prepara\u00e7\u00e3o adequada do magist\u00e9rio para as mudan\u00e7as introduzidas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">O que pensam os professores a respeito? \u00c9 poss\u00edvel que muitos ainda se mantenham fi\u00e9is \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o da escola seletiva e, nesse caso, n\u00e3o aceitam de bom grado as modifica\u00e7\u00f5es, demonstrando m\u00e1 vontade, resist\u00eancia e at\u00e9 mesmo indigna\u00e7\u00e3o com os novos rumos adotados. Implantado nessas condi\u00e7\u00f5es, o regime somente poderia levar ao malogro. Ap\u00f3s tantas d\u00e9cadas de regime seriado, com todas as implica\u00e7\u00f5es, inclusive em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 necessidade de repet\u00eancia, a passagem para a organiza\u00e7\u00e3o do ensino em ciclos teria obrigatoriamente que ser precedida de um per\u00edodo de prepara\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio, mediante cursos, palestras, debates e outros meios, que esclarecessem, convencessem e motivassem os professores para nova forma de conduzir os trabalhos escolares. Parece que isto n\u00e3o foi feito com a intensidade necess\u00e1ria e pode estar a\u00ed a maior falha da administra\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><br \/><\/span><\/p>\n<h1><\/h1>\n<h1><span style=\"font-size: 10pt;\">Conclus\u00e3o<\/span><\/h1>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><br \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Em uma sociedade democr\u00e1tica, em que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 direito de todos os cidad\u00e3os, o ensino fundamental obrigat\u00f3rio tem que ser oferecido a todos, independentemente da capacidade de aprendizagem. Haver\u00e1 sempre alguns alunos com maior dificuldade e estes precisam receber aten\u00e7\u00e3o especial para que possam acompanhar o ritmo dos demais. No oferecimento de condi\u00e7\u00f5es de aprendizagem compat\u00edveis com as necessidades dos alunos, n\u00e3o faz sentido manter a pr\u00e1tica da repet\u00eancia, recurso utilizado no passado, em que a escola podia dar-se ao luxo de ser seletiva. A escola atual tem a obriga\u00e7\u00e3o de ser\u00a0criativa, estimuladora, atenta \u00e0s dificuldades especiais de alguns alunos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Essa nova escola n\u00e3o surge por milagre. Ao contr\u00e1rio, se nada for feito, a escola, que \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o notoriamente resistente \u00e0 mudan\u00e7a, tender\u00e1 a manter os padr\u00f5es vigentes no passado. \u00c9 tarefa irrecus\u00e1vel da administra\u00e7\u00e3o do sistema promover uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o cultural,\u00a0\u00a0tomando provid\u00eancias decisivas para mudar a mentalidade ainda vigente. Entre essas provid\u00eanciasest\u00e3o a doutrina\u00e7\u00e3o, o convencimento, o engajamento dos docentes,\u00a0mas tamb\u00e9m, necessariamente, a busca de melhores condi\u00e7\u00f5es para o magist\u00e9rio.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma importante publica\u00e7\u00e3o dirigida a educadores, manifestamente querendo fazer humor, estampou o seguinte di\u00e1logo: &#8211; \u201cMeu filho n\u00e3o estudou nada e mesmo assim passou de ano\u201d. &#8211; \u201cPois \u00e9. E ainda tem gente dizendo que Papai Noel n\u00e3o existe\u201d. Este di\u00e1logo, presumivelmente entre dois pais de alunos, revela, a meu ver, uma vis\u00e3o completamente distorcida da miss\u00e3o da escola. A fala do primeiro pai \u00e9 simplesmente lament\u00e1vel, revelando completa aliena\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a sua condi\u00e7\u00e3o de principal respons\u00e1vel pelo destino da crian\u00e7a. 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