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Artigo – Por que Bob Dylan

By prof. Hubert
30 de maio de 2026
5
0

por José Renato Nalini

Pus-me a ler o livro de Robert Shelton, “No Direction Home – A vida e a música de Bob Dylan”. 734 páginas, mais um farto apêndice de fotos. Sempre me chamou a atenção o fato desse famoso compositor e cantor norte-americano merecer o Nobel de Literatura e não comparecer à cerimônia de entrega do prêmio, que expressamente recusou. Assim como me intrigou o fato de o Brasil nunca ter recebido a láurea, não passando de aceno ilusório a reiterada menção de Lygia Fagundes Telles como aquela que mais próxima esteve de trazer o “caneco” para os tupiniquins.

Nunca chegamos lá, embora a Rainha Silvia da Suécia se considere brasileira e seja, inclusive, prima do saudoso médico Joaquim Jacintho Floriano de Toledo, que durante tanto tempo clinicou em Jundiaí.

Ao iniciar a leitura descubro uma coincidência interessante. Georges Bernanos, que morou um tempo no Brasil e que escreveu “Diário de uma carmelita”, dizia que não existe aquilo que chamamos “coincidência”. É apenas a lógica de Deus a arranjar as coisas que nos surpreendem.

Mas a coincidência é que Bob Dylan nasceu em Hibbing, Minesotta,em 24 de maio de 1941. Seu nome: Robert Abe Zimermann. Passou a ser conhecido como Bob – abreviatura comum aos Robert americanos – Dylan, apropriando-se do nome de família de Dylan Thomas. Por que uma coincidência? Pouca gente compreenderá. Hibbing é também a cidade natal de um jovem que morou durante seis meses em Jundiaí, no intercâmbio que o AFS – American Field Service fazia na década de sessenta, como fórmula de estreitamento entre Estados Unidos e Brasil. Seu nome era Gary Ranta, que ficou na condição de “irmão americano” de João Taddeo Fernandes Molina, filho de Adelaide e João Gimenez Fernandes Molina. Sou padrinho de crisma de Taddeo, daí o meu convívio com Gary. Ele falava com muito orgulho de Hibbing, na região dos Grandes Lagos, com invernos rigorosos. Junto com seu pai, caçava alces e, depois do retorno aos EUA, continuou a se corresponder comigo.

Em 1963, vários jovens vieram para Jundiaí nesse intercâmbio. Além de Gary, Peggy Ann Jones, que chegou a namorar o Delega (Antonio Edmundo Fraga de Novaes), Bruce Montgomery, Sally Evans, todos hospedados em lares jundiaienses, como os de Nega e José Godoy Ferraz e Odete e Joaquim Storani.

Mas voltemos a Bob Dylan. Ele renegou Hibbing, uma cidade entregue à sanha da mineração, que se tornou uma cratera. Exauridas as minas de ferro, declinou e perdeu população.

Iniciou-se como cantor folk, tornou-se um ídolo mundial, comparado aos Beatles, que inclusive gostavam de suas músicas. Suas composições foram consideradas geniais. Tanto que é mais um poeta-filósofo do que músico. Acusado de plágio por sua música “Blowin’in the Wind”, assistiu ao fenômeno de vê-la gravada por mais de sessenta intérpretes, dentre os quais Duke Ellington, Percy Faith, Marlene Dietrich e Stevie Wonder.

Seu livro “Tarântula” mereceu tanto encômios quanto acerbas críticas. Seus pensamentos são instigantes e inspiradores. Por exemplo: “Cuide de todas as suas memórias. Pois não poderá revivê-las” e “Todos têm dentro de si a força para conseguir o que quer que se deseje”.

Está vivo e saudável. Ganhou muito dinheiro. Quando em Londres, visitou John Lennon em sua casa de 22 quartos. Retornando aos Estados Unidos, comprou uma com 36 dormitórios. Mas afirma não se vender por dinheiro. Uma vida muito interessante. Aprende-se muito com a leitura de sua biografia.

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José Renato Nalini é Acadêmico, Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo

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