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Home›Informações›Artigos›Guiomar Namo de Mello apresenta documento do MEC sobre Inteligência Artificial na Educação Básica

Guiomar Namo de Mello apresenta documento do MEC sobre Inteligência Artificial na Educação Básica

By prof. Hubert
3 de junho de 2026
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A Academia Paulista de Educação promoveu, em sua reunião mensal, uma reflexão sobre os desafios e as oportunidades trazidos pela inteligência artificial para a Educação Básica brasileira. A exposição foi conduzida por alguns acadêmicos como a professora Guiomar Namo de Mello, que apresentou e analisou o documento Inteligência Artificial na Educação Básica: documento orientador sobre caminhos curriculares e práticas éticas de uso de IA nas escolas (leia aqui), recentemente publicado pelo Ministério da Educação.

O documento representa uma das primeiras tentativas sistemáticas do governo federal de orientar redes de ensino e escolas sobre como incorporar a inteligência artificial às práticas pedagógicas e aos currículos, sem perder de vista os princípios éticos, a proteção de dados e o protagonismo dos professores. Segundo destacou Guiomar, a proposta parte de uma distinção fundamental: é preciso tanto ensinar sobre inteligência artificial quanto ensinar com inteligência artificial. Ou seja, a IA deve ser compreendida simultaneamente como objeto de conhecimento e como ferramenta educacional.

Um dos aspectos mais relevantes do documento é a defesa de uma formação crítica dos estudantes. Em vez de tratar a inteligência artificial apenas como uma inovação tecnológica ou uma ferramenta de produtividade, o MEC propõe que ela seja incorporada à agenda da educação digital e midiática, permitindo que crianças e jovens compreendam seu funcionamento, seus limites, seus impactos sociais e suas implicações éticas. A preocupação central é formar cidadãos capazes de interagir com sistemas inteligentes de maneira consciente, crítica e responsável.

Durante sua apresentação, Guiomar chamou atenção para dados que demonstram a rapidez com que a tecnologia já se incorporou ao cotidiano escolar. O próprio documento registra que mais de um terço dos estudantes brasileiros usuários de internet utiliza ferramentas de IA generativa em pesquisas e atividades escolares, percentual que chega a 70% entre alunos do Ensino Médio. Entre os professores, o uso dessas ferramentas para preparação de aulas e materiais didáticos também cresce rapidamente. Apesar disso, a orientação pedagógica ainda é limitada, revelando um descompasso entre adoção tecnológica e formação crítica.

Outro ponto destacado foi a recusa do documento em adotar posições extremadas. A inteligência artificial não aparece como ameaça a ser proibida nem como solução automática para os problemas da educação. O texto enfatiza a necessidade de equilibrar oportunidades e riscos, reconhecendo o potencial da IA para personalizar aprendizagens, apoiar professores, ampliar acessibilidade e aperfeiçoar a gestão escolar, ao mesmo tempo em que alerta para questões como vieses algorítmicos, dependência tecnológica, privacidade de dados e confiabilidade das informações produzidas por sistemas generativos.

Também recebeu atenção especial a defesa do papel central do professor. O documento do MEC afirma que ferramentas inteligentes devem apoiar, e não substituir, o julgamento pedagógico dos educadores. Para isso, propõe uma política estruturada de formação docente baseada em quatro grandes domínios: compreensão crítica da IA, uso pedagógico intencional, proteção de direitos e bem-estar digital, e desenvolvimento profissional dos professores.

A exposição de Guiomar reforçou ainda a importância de que as decisões sobre adoção de inteligência artificial sejam tomadas a partir de critérios educacionais e não apenas tecnológicos. Nesse sentido, o documento destaca a necessidade de alinhamento com a BNCC, observância da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e respeito às diretrizes do ECA Digital, buscando assegurar que a inovação esteja subordinada aos objetivos formativos da escola.

O debate promovido pela Academia Paulista de Educação contou também com a participação dos Acadêmicos Nilson José Machado e Sonia Penin, e evidenciou que a inteligência artificial já deixou de ser um tema do futuro para se tornar uma questão presente e estratégica para os sistemas educacionais. Para o presidente da Academia, “mais do que discutir ferramentas específicas, a reunião permitiu refletir sobre os novos desafios da formação humana em uma sociedade cada vez mais mediada por dados, algoritmos e sistemas inteligentes, reafirmando o compromisso da Academia com a análise crítica das transformações que impactam a educação brasileira”.

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