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Home›Informações›Notícias›“A aprendizagem começa muito antes da escola”, afirma Hubert Alquéres na posse de Beatriz Cardoso

“A aprendizagem começa muito antes da escola”, afirma Hubert Alquéres na posse de Beatriz Cardoso

By prof. Hubert
16 de setembro de 2026
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O presidente da Academia Paulista de Educação, Hubert Alquéres, destacou a importância da infância e dos diferentes ambientes de aprendizagem ao abrir a sessão solene de posse de Beatriz Cardoso como Titular da Cadeira nº 38 da instituição, realizada em 16 de setembro, na Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato, em São Paulo.

Em seu discurso, Alquéres ressaltou o significado da escolha da Biblioteca, que completa 90 anos em 2026 e tem sua história ligada às iniciativas culturais conduzidas por Mário de Andrade. O presidente da Academia destacou ainda, com emoção, a presença de Maria Tereza Pereira Militão da Silva, esposa do saudoso acadêmico Jair Militão da Silva, e de seu filho, Daniel Militão, que acompanharam a posse de sua sucessora na Cadeira nº 38.

Maria Tereza Pereira Militão da Silva e Daniel Militão

“A aprendizagem começa muito antes da escola”, afirmou, lembrando que a criança aprende não apenas no ambiente escolar, mas também em casa, na biblioteca, na praça e na cidade.

O presidente da APE defendeu também uma visão integrada das políticas voltadas à infância. “A criança é uma só; somos nós que dividimos as políticas públicas em setores”, disse. Para ele, educação, saúde, assistência social, cultura e proteção precisam atuar de maneira articulada para assegurar condições efetivas de aprendizagem e desenvolvimento.

Ao apresentar a trajetória da nova acadêmica, Alquéres destacou sua formação na Universidade de São Paulo e a criação do Laboratório de Educação (Labedu), dedicado a aproximar o conhecimento produzido sobre aprendizagem das práticas de educadores, famílias e crianças. O trabalho, segundo os dados mencionados no discurso, já alcançou mais de 440 mil crianças, 22 mil educadores e 5 mil escolas, em parceria com mais de 200 municípios.

A recente Bienal Internacional do Livro de São Paulo também foi lembrada como exemplo das oportunidades de aprendizagem que ultrapassam os limites da escola. Mais de 50 mil estudantes da rede municipal participaram do evento e receberam recursos para escolher e adquirir seus próprios livros.

O presidente da Academia destacou a presença da esposa Maria Tereza Pereira Militão da Silva e do filho de Jair Militao.

Alquéres situou ainda a chegada de Beatriz Cardoso em um momento de renovação da Academia, que recebeu recentemente também Maria Inês Fini, Ricardo Terra e José Vicente. “Uma Academia precisa preservar sua memória, mas precisa também interpretar o presente e formular as perguntas do futuro”, afirmou.

Ao dar as boas-vindas à nova acadêmica, concluiu: “Que esta seja também a sua casa, uma casa para compartilhar sua experiência, mas também para perguntar, provocar, discordar e nos ajudar a pensar.”

Abaixo, a íntegra do discurso de abertura proferido por Hubert Alquéres.

Caríssimas Confreiras e Confrades,

Senhoras e senhores,

Gostaria de agradecer a presença de tantos amigos e autoridades que nos prestigiam nesta solenidade e, em nome delas, os representantes dos secretários municipais Fernando Padula, da educação, e José Antônio “Totó” Parente, da Cultura. Também o Carlos Augusto Calil, ex-secretário da Cultura da capital, e Sergio Fausto, diretor executivo da Fundação Fernando Henrique Cardoso.

É uma grande alegria abrir esta sessão solene da Academia Paulista de Educação para receber Beatriz Cardoso como Acadêmica Titular da Cadeira nº 38, sucedendo o saudoso professor Jair Militão da Silva que nos deixou de forma tão prematura, em uma cadeira que tem como patrono Norberto Souza Pinto e como fundador Luiz Horta Lisboa.

Quero começar agradecendo à Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato na pessoa de sua diretora Marta Nosé pela acolhida tão generosa à nossa Academia.

Marta Nose e Beatriz Cardoso

Não poderíamos ter escolhido lugar mais apropriado. Esta Biblioteca completa 90 anos em 2026. Nasceu no contexto das iniciativas culturais conduzidas por Mário de Andrade e tornou-se um espaço dedicado à infância, ao livro, à leitura e à formação de leitores.

E hoje recebe uma educadora cuja trajetória nos convida justamente a olhar para a infância como uma etapa decisiva da educação e da formação humana.

A aprendizagem começa muito antes da escola.

Uma criança aprende quando alguém conversa com ela, quando brinca, pergunta, observa, experimenta, ouve uma história, folheia um livro. Aprende na escola, mas também em casa, na biblioteca, na praça, na cidade.

E, quando falamos de infância, não podemos pensar a educação isoladamente. A criança é uma só; somos nós que dividimos as políticas públicas em setores. Educação, saúde, assistência social, cultura e proteção precisam conversar entre si se quisermos assegurar a cada criança condições efetivas para aprender e se desenvolver.

Esse olhar está muito presente na trajetória de Beatriz e no trabalho que vem realizando há anos.

Pedagoga formada pela USP e doutora pela mesma universidade na área de História e Filosofia da Educação, Bia criou, ao lado de Andrea Guida Bisognin, o Laboratório de Educação, o Labedu, que procura transformar o conhecimento produzido sobre aprendizagem em práticas que cheguem aos educadores, às famílias e às crianças.

É um trabalho que já alcançou mais de 440 mil crianças, 22 mil educadores e 5 mil escolas, em parceria com mais de 200 municípios. Números importantes, mas que expressam uma ideia ainda mais importante: toda criança pode aprender, e todos os ambientes podem oferecer oportunidades de aprendizagem.

Tivemos, aliás, há poucos dias, uma imagem muito bonita dessa ideia na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Mais de 50 mil estudantes da rede municipal foram levados pela Prefeitura à Bienal e receberam recursos para escolher e comprar seus próprios livros.

Para muitas dessas crianças, talvez tenha sido a primeira vez diante de tantos livros, autores e histórias. E há algo poderoso em uma criança poder caminhar entre milhares de livros e dizer: “este eu escolhi para mim”.

É também por isso que realizar esta posse em uma biblioteca pública dedicada à infância tem tanto significado.

Beatriz chega à Academia em um momento de renovação. Nas últimas semanas recebemos Maria Inês Fini, Ricardo Terra e José Vicente. São trajetórias muito diferentes, que ampliam nossa capacidade de olhar para a educação brasileira.

Uma Academia precisa preservar sua memória, mas precisa também interpretar o presente e formular as perguntas do futuro.

E Beatriz traz perguntas fundamentais: Como nossas crianças aprendem? Que oportunidades estamos oferecendo a elas? Como aproximar educação, saúde, assistência, cultura e família? E como fazer com que as condições em que uma criança nasceu não determinem até onde ela poderá chegar?

Querida Bia, seja muito bem-vinda à Academia Paulista de Educação.

Que esta seja também a sua casa, uma casa para compartilhar sua experiência, mas também para perguntar, provocar, discordar e nos ajudar a pensar.

E não poderia haver lugar melhor para começar essa caminhada do que aqui: entre crianças, livros e histórias.

Muito obrigado.

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