Artigo – Em memória de Arnold Fioravante, educador e construtor de instituições
Por Wander Soares e Nacim Walter Chieco.
Da sala de aula à universidade, da atividade empresarial à vida pública, Arnold Fioravante dedicou mais de seis décadas à educação brasileira, deixando um legado de realizações, ideias e instituições que continuam a formar gerações.

A Academia Paulista de Educação (APE) conta com grandes e marcantes figuras ao longo de mais de cinquenta anos de existência. É o caso do acadêmico Arnold Fioravante, cadeira 9, falecido em 2024 aos 93 anos. Ainda que de forma breve, cumpre-nos registrar o ocorrido, prestar uma homenagem e exaltar a memória desse notável e exemplar educador.
Piracicabano, nascido em 1931, filho de renomado professor local de linhagem italiana, muito cedo Arnold enveredou pela carreira educacional. Foi professor e dirigiu várias escolas. Estagiou nos Estados Unidos em educação profissional. Cedo também despertou o seu espírito empreendedor.
Associou-se a especialistas em tecnologia educacional e instituiu inovadora entidade de educação a distância. Seu maior feito, porém, foi detectar, na década de 60, um nicho de baixa oferta e alta demandade cursos superiores de direito. Na ocasião, em São Paulo, esse espaço era ocupado por somente três grandes universidades. Fioravante e o parceiro Guaracy Silveira criaram as Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU). Iniciativa coroada de pleno êxito, não demorou para que a FMU se tornasse relevante opção de ensino jurídico. Tal projeto rapidamente se ampliou, se diversificou e se tornou a grande Universidade FMU no cenário educacional paulista.
Fioravante almejava ainda mais para a educação nacional, tema frequente em seu programa diário na extinta Rádio Capital. Elegeu-se deputado federal em 1986. Na Câmara, atuou como representante constituinte de São Paulo. Apresentou inúmeras propostas na área de educação, tanto para a Constituição de 1988 como projetos de lei específicos, destacando-se, em 1989, um projeto de lei de diretrizes e bases da educação nacional. Lutou arduamente pela municipalização da educação básica, pela atenção especial aos infra e superdotados, pela superação dos excludentes vestibulares e pela valorização do professor.
Era um liberal de estrita observância. Pautou-se sempre pelos conceitos de educação, honestidade e trabalho. Não se furtou a contribuir em nível local, tendo atuado no Conselho Municipal de Educação de São Paulo.Em 2009, por convite do então presidente da APE Paulo Nathanael Pereira de Souza e indicação do acadêmico João Gualberto de Carvalho Meneses,passou a integrar a Academia Paulista de Educação. Com essa presença, a APE ampliou o quadro de educadores dedicados à prática desde a docência em escola primária até o alto comando de universidade privada. Durante a gestão da APE 2012/15, Fioravante assumiu um cargo na Tesouraria e, além da atuação funcional, fez significativa participação para equilibrar as contas da APE, viabilizando a continuidade da edição da nossa Revista.
Em 2016,foi publicada a obra Arnold Fioravante e seus escritos, organizada por sua esposa Lígia Maria, contendo artigos, discursos, projetos de lei, poesias e, algo típico do homenageado, máximas e epigramas sobre a vida e a amizade. A APE dispõe de alguns exemplares dessa publicação, disponíveis a interessados pela trajetória e o legado de um vitorioso empreendedor no campo educacional.
Fioravante deixou a esposa, uma filha, duas netas, um bisneto, muitos amigos e gerações de profissionais formados pelas instituições por ele criadas.

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Por Wander Soares, cadeira 17 da Academia Paulista de Educação (APE) e Nacim Walter Chieco, cadeira 8 da APE.
