Elza Berquó deixa legado decisivo para a demografia, a saúde pública e a pesquisa brasileira

A Academia Paulista de Educação manifesta profundo pesar pelo falecimento da professora Elza Salvatori Berquó, uma das maiores intelectuais brasileiras e pioneira na institucionalização da Demografia no país. Matemática, estatística e demógrafa, Elza faleceu aos 100 anos, deixando uma obra que transformou a compreensão das dinâmicas populacionais brasileiras e influenciou de forma duradoura as políticas públicas nas áreas de saúde, educação e desenvolvimento social.
Formada em Matemática pela PUC-Campinas, mestre em Estatística pela USP e doutora em Bioestatística pela Universidade Columbia, nos Estados Unidos, Elza Berquó foi professora titular da Universidade de São Paulo e uma das responsáveis pela criação de instituições que se tornaram referências nacionais, como o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, a Associação Brasileira de Estudos Populacionais e o Núcleo de Estudos de População Elza Berquó, fundado em 1982 e que, desde 2014, leva seu nome. Foi uma das primeiras pesquisadoras a identificar a queda da fecundidade e o processo de envelhecimento da população brasileira, formando gerações de pesquisadores e consolidando a demografia como campo científico de excelência no Brasil.
A notícia de seu falecimento repercutiu entre os acadêmicos da Academia Paulista de Educação. A professora Ghisleine Trigo Silveira lembrou sua experiência como aluna de Elza na Faculdade de Saúde Pública da USP:
“Tive a felicidade de ter sido aluna da Profa. Elza em 1985, na disciplina Estatística Vital, na Faculdade de Saúde Pública da USP. Uma grande perda, em especial na área da saúde pública.”
A acadêmica Maria Helena Guimarães Castro também destacou a dimensão humana e acadêmica da pesquisadora:
“Elza era uma figura incrível. Convivi com ela no início da década de 80, quando foram criados o NEPO e o NEPP. Uma grande liderança acadêmica e institucional. Gostava muito dela. Inteligente, corajosa e muito divertida.”
Ao longo de sua carreira, Elza Berquó demonstrou que os estudos populacionais ultrapassam a dimensão estatística e constituem instrumento essencial para compreender as transformações da sociedade, orientar políticas públicas e enfrentar desigualdades. Sua produção científica, aliada à capacidade de criar instituições e formar pesquisadores, fez dela uma das mais influentes cientistas brasileiras de sua geração.
A acadêmica Eliana Martorano Amaral teve a oportunidade de trabalhar com a professora em formações sobre saúde sexual e reprodutiva para profissionais de saúde, nos anos iniciais da aids no Brasil. ” Era uma pessoa muito pró-ativa e visionária, defensora de direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, e já entendia, em 1988-1989 o impacto que o vírus HIV iria causar nas gestações e, potencialmente, também nas crianças”.
A Academia Paulista de Educação presta homenagem à professora Elza Berquó e expressa sua solidariedade aos familiares, amigos, colegas e ex-alunos. Para o presidente da entidade, Hubert Alquéres, “seu legado continuará inspirando pesquisadores, gestores públicos e educadores comprometidos com a produção do conhecimento e com a construção de um país mais justo”.
