Ideias que permanecem atuais: depoimento de Bahij Amin Aur revisita a evolução da educação profissional brasileira

Embora gravado há alguns anos pelo Museu da Pessoa, o depoimento do acadêmico Bahij Amin Aur permanece surpreendentemente atual. Em um momento em que a educação profissional volta ao centro dos debates sobre desenvolvimento econômico, inovação tecnológica e formação para o trabalho, sua reflexão oferece elementos valiosos para compreender os desafios que continuam presentes na educação brasileira.
Intitulado “Repensando a educação profissional”, o registro recupera a trajetória de Bahij Amin Aur e documenta sua contribuição para a renovação da educação profissional no Brasil. Mais do que um relato autobiográfico, a entrevista constitui um testemunho sobre transformações institucionais que influenciaram a organização do ensino técnico e profissional nas últimas décadas.
Formado em Direito e Filosofia pela Universidade de São Paulo, com estudos em Serviço Social e Sociologia do Trabalho, Bahij Amin Aur construiu uma carreira marcada pela atuação no SESC, no SENAC, na Universidade Estadual Paulista (Unesp) e em diferentes órgãos públicos ligados à educação e ao trabalho.
No depoimento, destaca especialmente o período em que dirigiu o Senac São Paulo, quando a instituição passou por um amplo processo de revisão de seus objetivos e de seus métodos de formação profissional. Em vez de compreender a educação como um percurso encerrado pela obtenção de um diploma, Amin defendia uma formação permanente, capaz de acompanhar as rápidas transformações tecnológicas, econômicas e sociais.
Essa perspectiva, inovadora quando formulada, mantém plena atualidade. Em um cenário marcado pela inteligência artificial, pela automação, pela emergência de novas profissões e pela necessidade constante de requalificação da força de trabalho, a ideia de aprendizagem ao longo da vida tornou-se um dos principais referenciais das políticas educacionais em todo o mundo.
Ao longo da entrevista, Bahij Amin Aur também recorda as influências intelectuais que orientaram esse processo de renovação, entre elas o relatório “Aprender a Ser”, coordenado por Edgar Faure para a Unesco, responsável por difundir internacionalmente o conceito de educação permanente, além das reflexões de Ivan Illich sobre novos espaços e formas de aprendizagem.
Para o presidente da Academia Paulista de Educação, Hubert Alquéres, “a preservação desse depoimento representa mais do que o registro da trajetória de um de nossos mais destacados acadêmicos. Constitui um documento histórico que permite compreender a evolução da educação profissional brasileira e evidencia como ideias formuladas há décadas continuam dialogando com os desafios contemporâneos da formação de trabalhadores, professores e cidadãos”.
